{"id":329,"date":"2017-11-30T11:15:59","date_gmt":"2017-11-30T13:15:59","guid":{"rendered":"http:\/\/contcop.org.br\/?p=329"},"modified":"2017-12-14T19:41:54","modified_gmt":"2017-12-14T21:41:54","slug":"a-conjuntura-de-retrocessos-e-a-elite-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/contcop.org.br\/?p=329","title":{"rendered":"A conjuntura de retrocessos e a elite brasileira"},"content":{"rendered":"<p>Passamos por um momento em que a bancada sindical no Congresso tem se tornado cada vez mais enxuta. Por outro lado, as bancadas que defendem os empres\u00e1rios e a elite t\u00eam crescido e o Brasil possui o Congresso mais conservador desde a ditadura militar.<\/p>\n<p>Enfrentamos uma conjuntura muito complicada, com retrocessos e ataque aos direitos dos trabalhadores. As deformas trabalhista e previdenci\u00e1ria e outros Projetos de Lei est\u00e3o contra os brasileiros, apesar do governo insistir que servem para um suposto \u201cbem de todos\u201d. Eles s\u00f3 esquecem de citar que \u00e9 para o bem de todos que s\u00e3o da elite.<\/p>\n<p>As reformas surgiram por press\u00e3o dos segmentos empresariais, que apoiaram Temer no processo de impeachment de Dilma. A cobran\u00e7a dessa fatura veio logo que Temer assumiu, e ele passou a conta para os trabalhadores pagarem.<\/p>\n<p>A \u201creforma\u201d trabalhista, por exemplo, permite que patr\u00f5es e empregados assinem acordos coletivos que ignorem o que est\u00e1 escrito na Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho, CLT. Ou seja, est\u00e3o consentindo com a aprova\u00e7\u00e3o de medidas que desrespeitam o m\u00ednimo de direitos que a CLT garante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>A Elite brasileira<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Hoje, 30 de novembro, a Folha de S. Paulo publicou\u00a0<a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/opiniao\/2017\/11\/1939366-quem-e-a-elite.shtml?loggedpaywall\" target=\"_blank\">um editorial<\/a>\u00a0em que fala sobre quem \u00e9 a elite brasileira. O texto trata, tamb\u00e9m, do desconhecimento da desigualdade social e de pol\u00edticas do Estado que transferem dinheiro aos mais favorecidos.<\/p>\n<p>Editorial da Folha,<em>\u00a0\u201cQuem \u00e9 a elite\u201d:<\/em><\/p>\n<p><em>Um brasileiro com sal\u00e1rio de R$ 27 mil mensais possivelmente se considera de classe m\u00e9dia, ou m\u00e9dia alta. Afinal, a despeito da boa remunera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se trata de um grande empres\u00e1rio ou algu\u00e9m livre de preocupa\u00e7\u00f5es com a escola dos filhos e a aposentadoria.<\/em><\/p>\n<p><em>Suas refer\u00eancias, ademais, tendem a ser as do meio em que vive \u2014colegas, amigos, parentes e vizinhos de padr\u00f5es de vida n\u00e3o t\u00e3o diferentes entre si.<\/em><\/p>\n<p><em>Entretanto esse funcion\u00e1rio frequenta, talvez sem o saber, uma comunidade min\u00fascula e privilegiada no topo da pir\u00e2mide social brasileira. Conforme os dados divulgados nesta quarta-feira (29) pelo IBGE, ele recebe o correspondente \u00e0 renda m\u00e9dia do trabalho do 1% mais bem pago do pa\u00eds.<\/em><\/p>\n<p><em>Mais chocante ainda \u00e9 constatar a discrep\u00e2ncia entre esse valor e o percebido, tamb\u00e9m em m\u00e9dia, pelos 50% mais pobres \u2014R$ 747 mensais em 2016, abaixo do sal\u00e1rio m\u00ednimo de R$ 880 no per\u00edodo.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 prov\u00e1vel que carentes e remediados tamb\u00e9m n\u00e3o se deem conta, em seu dia a dia, das dimens\u00f5es brutais da desigualdade nacional. Esta, no entanto, \u00e9 ao que tudo indica ainda maior do que apontam as pesquisas do IBGE.<\/em><\/p>\n<p><em>Os estratos mais abonados em geral disp\u00f5em de outras fontes de renda, como juros de aplica\u00e7\u00f5es financeiras, alugu\u00e9is e dividendos, muitas vezes n\u00e3o informados corretamente aos entrevistadores.<\/em><\/p>\n<p><em>De todo modo, pode-se afirmar que a elite econ\u00f4mica, alvo recorrente do discurso ideol\u00f3gico mais rasteiro, n\u00e3o se comp\u00f5e apenas de milion\u00e1rios e oligarcas. Ao lado deles, em maior quantidade, encontram-se advogados, m\u00e9dicos, engenheiros, servidores p\u00fablicos.<\/em><\/p>\n<p><em>Numa perspectiva mais ampla, sal\u00e1rios superiores a R$ 2.150 j\u00e1 estar\u00e3o acima da m\u00e9dia nacional.<\/em><\/p>\n<p><em>Essa realidade n\u00e3o est\u00e1 refletida nas pol\u00edticas de Estado \u2014como o demonstram programas que, embora tidos como sociais, na pr\u00e1tica transferem renda de toda a popula\u00e7\u00e3o para os mais favorecidos.<\/em><\/p>\n<p><em>Exemplos evidentes s\u00e3o os gastos previdenci\u00e1rios, que consomem a maior fatia do Or\u00e7amento federal, e a gratuidade constitucional do ensino superior p\u00fablico.<\/em><\/p>\n<p><em>O aparato estatal \u00e9 sustentado, acrescente-se, por um sistema tribut\u00e1rio que onera em excesso o consumo, penalizando os mais pobres, e aplica al\u00edquotas modestas aos rendimentos mais elevados.<\/em><\/p>\n<p><em>Tentativas de alterar o statu quo enfrentam resist\u00eancias ferozes, n\u00e3o raro travestidas de defesa dos mais vulner\u00e1veis. Tal mistifica\u00e7\u00e3o \u00e9 facilitada pelo conhecimento deficiente da desigualdade brasileira<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Passamos por um momento em que a bancada sindical no Congresso tem se tornado cada vez mais enxuta. Por outro lado, as bancadas que defendem os empres\u00e1rios e a elite t\u00eam crescido e o Brasil possui o Congresso mais conservador desde a ditadura militar. 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